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Um Projeto

O afloramento de diamantes entre os rios Araguaia e Garças traz um rápido preenchimento do vazio humano do Brasil Central.

Por volta de 1850 famílias de Minas Gerais e São Paulo iniciam um novo avanço além das trilhas das antigas bandeiras, depois do esgotamento das minas de Ouro também em Goiás e Cuiabá.

Iniciaram as lavouras e a criação de gado. Dos assentamentos de garimpos surgem os povoados.

Numa primeira fase trago contos e causos de memórias aprendidas e compartilhadas.

Este foi o problema que me pus e busquei encontrar uma compreensão do ocorrido. Tudo começou com a pandemia da Covid-19, quando por imposição fomos forçados a congregar mais em casa, evitando o espaço externo e nele devia usar uma frágil máscara, que demonstrou ser um grande açaimo imposto e aceite.

Para convívio passei a narrar algumas memórias de minha infância. Percebi que agradavam e instigavam ao querer saber de como era naquele tempo. Passei a rascunhar casos e lembranças.

Assim surgiu um projeto que denominei pelo rio de minha aldeia: Araguaia.

Com o fluir das lembranças vieram questões a discutir e repensar. Não fugi ao desafio. Verifiquei depois já muitas páginas impressas para reler, rever e refazer que abordava dois aspectos no projeto que tomava ares de ambicioso.

Um com narrativa de experiencias e reflexões vividas na forma de contos ou “causos”, é o Araguaia.

Outro buscando documentos e correlações de contemporaneidade com o caminhar de nossos precursores, delimitando também a duração não aos dias de hoje, mas até quando vi e vivi ali.

Eu não me vinculo a teorias, nem quero confirmar com academicismo que tal ou qual é correta. É o que caracteriza o Araguaia 2.

Ambos são um garimpo de memórias, registadas ou não.

 

Francisco Sales Martins de Carvalho

Coimbra, agosto de 2025

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